Metalúrgicos protestam contra mudanças
Com essa proposta, não tem discussão, tem luta
"Com essa proposta, não tem discussão, tem luta. Não vai ter arrego, e a nossa proposta é que o Michel Temer retire o texto" Rafael Marques Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Cerca de 12 mil metalúrgicos ocuparam na manhã de sexta-feira uma faixa da via Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, em protesto contra a proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê a reforma da Previdência apresentada pelo governo esta semana. O ato reuniu trabalhadores de grandes empresas da região, como das montadoras da Ford, Mercedes, Toyota, Scania e Volkswagen, e de fabricantes de autopeças como Mahle, Magna, Arteb e Selco.
Na manifestação, os trabalhadores aprovaram também uma estratégia de promover sistematicamente atos de oposição ao projeto. - Com essa proposta, não tem discussão, tem luta. Não vai ter arrego, e a nossa proposta é que o Michel Temer retire o texto - afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, que é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), para completar: - O caminho é ocupar as ruas. Em reunião de lideranças de sindicatos de sua base, a Executiva Nacional da Força Sindical decidiu também ontem estabelecer uma programação de atos e manifestações de protestos contra a proposta de reforma da Previdência, que deve se estender pelos próximos três meses.
As primeiras manifestações, informou a central, serão organizadas pelos aposentados, cujo sindicato integra a base da Força, em 24 de janeiro, em vários estados. No dia seguinte, 25, ocorrerá um ato na Praça da Sé, em São Paulo. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, voltou a repetir ontem, durante reunião que contou com a presença de cerca de 500 sindicalistas, que os principais pontos da reforma apresentada são "injustos e prejudicam os mais pobres". - Somos contra a proposta do governo e vamos insistir nas mudanças - disse. Os sindicalistas também decidiram realizar, nas primeiras semanas de fevereiro, manifestações nas capitais dos estados "para alertar e esclarecer a população sobre os exageros da PEC da Previdência".
Nesse período, a Força Sindical disse que pretende conversar com parlamentares a fim de sensibilizá-los sobre a necessidade de mudanças no texto da PEC. Os sindicalistas também apoiaram a ideia de Paulinho, que é deputado federal (SD-SP), apresentar uma emenda que estabelece a idade mínima de 60 anos para homens e 58 para mulheres, em vez dos 65 anos da proposta do governo, além de regras de transição "mais justas para todos".
(O Globo-10.12)