30/06/22

Educação financeira: Para 49% dos brasileiros, dinheiro significa sustento da família

Agregar significados para sua real definição além de conceitos monetários.
Sustento da família, trazendo para a análise a importância do viés da segurança para o lar, é o que 49% dos brasileiros relacionam o significado do dinheiro, é o que destaca o estudo “O significado do Dinheiro” da NTT Data, sexta maior consultoria de TI e Negócios do mundo. Também mostra que para 21% dos entrevistados, o dinheiro está ligado ao prazer e é um “meio” para desfrutar a vida e que 26% relacionam dinheiro a poder, ou seja, é uma chave que abre portas, sobretudo no convívio social.

A pesquisa qualitativa entrevistou individualmente cinco especialistas em finanças e ações pessoais, além de 18 brasileiros (empreendedores e assalariados de todas as classes sociais). Já na etapa quantitativa, foram entrevistados 1.004 brasileiros, divididos por região, classe social e idade.

“Buscamos avaliar a relação dos brasileiros com o dinheiro ao longo do tempo por três pontos de vista: trocas, poder e consumo. A partir do momento em que o dinheiro deixa de ter apenas conceitos monetários, passa a agregar novos significados para sua real definição”, comenta Diego Alves Selistre, head de Pesquisa e Estratégia do Chazz, divisão de design e inovação da NTT Data.

A pesquisa foi realizada em duas fases, qualitativa e quantitativa.
“As formas de uso do dinheiro estão conectadas com os seus diferentes significados, pois entregam benefícios individuais e coletivos que reforçam a importância da família, prazer de viver ou a inserção social”, explica Selistre.

Segundo o estudo, o brasileiro é muito preocupado com questões relacionadas à responsabilidade social. Para 67% dos entrevistados, é importante ou muito importante utilizar o dinheiro em doações para quem precisa ou apoiar causas sociais. Um detalhe interessante percebido pelo estudo é que esta questão é mais importante para as classes menos privilegiadas. Usar o próprio dinheiro para doações foi apontado como importante ou muito importante para 21% da soma dos respondentes das classes C e D, ante 13% da soma dos participantes de classes A e B.

 “É interessante observar como os brasileiros de classes menos privilegiadas demonstram uma preocupação maior em doar, apoiar causas sociais e instituições em que acreditam”, diz o head de Pesquisa e Estratégia do Chazz. “Trata-se de uma lógica de auxílio ao próximo muito comum principalmente entre as classes sociais menos favorecidas e foi ampliada durante a pandemia.”

Outra característica que chama a atenção são os gastos com comodidade e praticidade. Mais da metade dos entrevistados afirmaram que é importante ou muito importante usar o dinheiro com apps de entrega (55%), apps de mobilidade urbana (53%) e delivery de alimentos (51%).

“Neste caso, o que chama a atenção é que não há um grande diferencial percentual em relação aos itens de comodidade e praticidade quando analisamos as classes sociais separadamente, o que sugere que todos gostam de gastar seu dinheiro para o próprio conforto”, afirma Selistre.

Cuidados pessoais
O estudo destacou também a importância de investir em beleza e cuidados com o corpo. 51% dos brasileiros consideram importante ou muito importante usar seu dinheiro em materiais e serviços esportivos, enquanto 45% destacaram o gasto em cosméticos e estética.

Por fim, outra categoria de destaque foi lazer e entretenimento. Streamings de vídeo, de música, apps de aluguel para viagens e games e jogos online foram relatados pelos participantes como importantes ou muito importantes para 41%, 25%, 37% e 17% dos entrevistados, respectivamente.

“O interessante nesta parte da pesquisa é observar a crescente utilização de serviços digitais por todas as classes sociais”, diz Selistre. “A mensagem que fica é que os brasileiros buscam soluções digitais eficientes e não se importam de gastar seu dinheiro, se bem atendidos.”

Formas de pagamento
Em uma questão de múltipla escolha, os participantes destacaram as suas formas de pagamento preferidas. Apenas 24% das pessoas optaram pelo “dinheiro vivo”. Pagamento por aproximação com cartões de crédito ou débito foi destacado por 31% dos entrevistados, enquanto o pagamento inserindo estes cartões (chips) nas máquinas foram marcados por 35%. Pagamentos por aplicativos bancários foram escolhidos por 43% das pessoas, enquanto carteiras digitais, por 22%.

O grande destaque, no entanto, é o Pix, como a forma de pagamento preferida dos brasileiros. Para 69% dos entrevistados é a principal forma de transação instantânea do Brasil. “O Pix é a opção preferida de pagamento e recebimento de dinheiro porque é instantâneo, está sempre disponível, é gratuito e não tem intermediários”, afirma Selistre. Pouco mais da metade dos entrevistados (55%) afirmaram inclusive que se trata da melhor forma de pagamento já inventada.

Os empreendedores que participaram do estudo deixam claro que o Pix facilitou muito seus negócios, uma vez que 84% preferem receber por essa modalidade.

Apesar de ser apontado como tendência, o pagamento por aproximação, seja por meio do smartphone ou pelo cartão, ainda encontra algumas barreiras culturais: 27% dos entrevistados afirmaram ter medo da modalidade por receio de golpes (transferências não autorizadas).

Dinheiro que não é dinheiro
Ainda sobre as formas de pagamento, o estudo da NTT Data buscou entender a relação das pessoas com cashback, cupons, delivery grátis, etc. A conclusão: os brasileiros tratam esses benefícios como dinheiro. Para 42% dos entrevistados, cashback equivale a dinheiro, 43% consideram cupons de desconto dinheiro por permitir economia nas compras e 40% consideram delivery gratuito como diferencial para fazer compras online — e consideram essa economia no custo final.

Potencializadas pelo aumento da digitalização durante a pandemia, as moedas digitais ganham popularidade, dando oportunidade para cada segmento e/ou empresa criar sua própria moeda, com suas próprias recompensas e seu próprio valor.

Esses formatos personalizáveis de meios de troca (criptomoedas ou tokens) mostram novas possibilidades de transação que não exigem o real brasileiro. Este novo tipo de dinheiro movimenta a economia em jogos de videogame e 17% das pessoas consideram importante gastar o próprio dinheiro nessas plataformas.

Relação com o crédito
A pesquisa perguntou quais são as principais características que alguém precisa ter para uma vida financeira saudável. Para isso, foi perguntado qual o ‘superpoder’ de algum personagem famoso que alguém precisa ter:
– Um em quatro acreditam que é preciso ter inteligência da Lara Croft, de Tomb Raider para organizar as próprias finanças;
– Para 17%, é fundamental ter a criatividade do Anel do Lanterna Verde para gerar novas formas de renda;
– 13% dizem que o sucesso passa pelo domínio das novas tecnologias financeiras digitais, assim como o Homem de Ferro; – 12% acreditam que a flexibilidade da Mulher Elástica para se adaptar a diferentes momentos é o diferencial.

Em relação à tomada de crédito, 39% das pessoas afirmaram que já solicitaram empréstimos para pagar outras dívidas; 35%, para pagar despesas inesperadas; 16%, para adquirir produtos; e 15%, para reformar a casa, entre outras.

Sobre os modelos de crédito, 41% dos brasileiros utilizam o cartão de crédito, 33% buscam empréstimos pessoais sem garantia, 33% optam pelos consignados e 20% utilizam o cheque especial. Financiamentos foi a modalidade apontada por 20% dos entrevistados; 19% mencionaram empréstimos com parentes ou conhecidos; 13% citaram empréstimos pessoais com garantia; e apenas 9% mencionaram consórcios.

Oportunidades de negócios
“Os resultados do estudo mostram que há inúmeras oportunidades de negócios que podem ser criados ou melhorados quando as marcas entendem a forma como os brasileiros veem e lidam com o dinheiro”, diz Selistre. “A diversidade na forma como o brasileiro enxerga o dinheiro mostra que serviços e soluções não podem mais ser pensados de forma genérica, como se todas as pessoas esperassem pela mesma experiência.” Segundo o head de Pesquisa e Estratégia do Chazz, o estudo reforça a tendência de personalização de produtos e serviços pelas marcas.
Pouco mais da metade dos brasileiros (51%) gostariam que os bancos entendessem quem eles são e quais são seus objetivos para que, desta forma, possam oferecer soluções personalizadas.

“O estudo aponta os caminhos pelos quais os bancos e instituições financeiras podem seguir na busca e fidelização de seus clientes. A tendência apontada é que sejam criados produtos financeiros mais democráticos e acessíveis. Muitos brasileiros não possuem referências de educação financeira e criar este elo pode ser uma grande oportunidade de criar conexão entre instituição e clientes”, diz Selistre.   

(Monitor Mercantil)

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