12/07/18

Governo reduzirá novamente a projeção do PIB

O efeito da greve dos caminhoneiros

Com o efeito da greve dos caminhoneiros, a equipe econômica reduzirá a projeção para o crescimento da economia em 2018. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano cairá dos 2,5% estimados oficialmente para algo entre 1,5% e 1,8%. O governo já sabe que 2019 também será afetado. A estimativa para o crescimento da atividade no ano que vem, que chegou aos 3,3% em cenários mais otimistas, não é mais realista. Fontes da equipe econômica afirmam que o novo patamar ficará abaixo dos 3%.

O governo refina os dados que possui sobre a atividade no segundo trimestre do ano para bater o martelo sobre o PIB de 2018. O dado tem que ser divulgado até o fim da próxima semana, quando vence o prazo para publicação do relatório bimestral de receitas e despesas. Já se sabe que os 10 dias de paralisação levarão o desempenho do segundo trimestre para próximo de zero. O cenário mais pessimista envolve uma pequena retração na economia entre abril e junho, de cerca de 0,1%.

Os técnicos do governo, contudo, mantêm o discurso de que o impacto da greve é pontual e estimam uma aceleração do PIB na segunda parte do ano. A percepção é de que as incertezas atuais não são suficientes para tirar o país da trajetória de crescimento.

EFEITO DA CRISE:

Medo do desemprego é um dos mais altos da história, diz CNI. - A greve teve um impacto muito forte tanto na produção quanto nas expectativas. Mas acreditamos que é pontual porque em junho já tivemos recuperação de alguns números. O problema é que o desempenho estatístico do segundo trimestre tem um efeito no PIB do ano - diz uma fonte.

Além da paralisação dos caminhoneiros, contaram para a revisão do PIB em 2018 o não avanço de pautas importantes e prioritárias para o governo no Congresso. A percepção é de que esses fatores, além das incertezas do processo eleitoral e um cenário externo conturbado, mexeram com as expectativas de produtores e consumidores. Os técnicos, no entanto, reconhecem que o cenário eleitoral não está inteiramente precificado nos novos dados. Com o encurtamento do calendário das eleições, eles avaliam que ainda é necessário aguardar possíveis efeitos com a intensificação da disputa.

Por outro lado, pode contar positivamente uma surpresa com os saques do PIS/Pasep, que foram disponibilizados para todos que têm recursos no fundo depositados antes de 1988. Ao todo, R$ 39 bilhões podem ser sacados, mas sabe-se que as retiradas ficarão abaixo disso. O governo tem como certo que pelo menos R$ 12 bilhões serão injetados na economia neste ano: uma parte disso já sacada e outra que entrará automaticamente para quem já é correntista do Banco do Brasil e da Caixa. No cenário otimista, no entanto,os saques podem ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões.  

(G1)