13/05/19

Inflação sobe menos que o esperado

A inflação de abril, de o, 57%, pode ser vista por dois ângulos

O ruim é que foi a maior para o mês desde 2016. O bom é que ficou abaixo da registrada em março (0,75%)e abaixo da expectativa do mercado, que previa 0,63%. No mês passado, a gasolina e os remédios foram os itens que puxaram para cima o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do País, medido pelo IBGE. Mas houve alívio nos preços dos alimentos e, embora alguns itens, como o tomate, sigam pesando no bolso, os preços no atacado sugerem que eles já não devem mais pesar tanto assim no índice como ocorreu no primeiro trimestre; No acumulado em 12 meses até abril, o IPCA avançou 4,94%, maior taxa desde janeiro de 2017 (5,35%) e a cima da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central (BC),mas isso não preocupou a maioria dos analistas. Por um lado, a continuidade no alívio dos preços de alimentos, após o choque de alta do primeiro trimestre, levará a índices mensais menores. Por outro, a partir de junho, sairá do acumulado em 12 meses a alta de junho de 2018 - o IPCA subiu 1,26% naquele mês, por causa da greve dos caminhoneiros. 

"Quando esse efeito sair do acumulado (em 12 meses), em junho, a inflação deve voltar a rodar abaixo dos 4,0%", afirmou o economista sênior do banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso. Para a economista Julia Passa-bom, do Itaú Unibanco, o IPCA de abril sinaliza a dissipação das pressões inflacionárias de curto prazo. A equipe do banco projetava alta de 0,63% para abril. Segundo a economista, a diferença foi explicada "por uma desaceleração mais intensa dos preços dos alimentos". "É uma boa notícia, já que os alimentos pressionaram bastante no início do ano", disse. 

Com alta de 0,63%, o segmento Alimentação e Bebidas ajudou a puxar a inflação em abril, mas a variação ficou abaixo da metade da registrada pelo grupo de despesa em março (1,37%). O IBGE destacou as quedas de preços no feijão-carioca (-9,09%) e nas frutas (-0,71%). Por outro lado ainda houve pressão do tomate (28,64%), segundo maior impacto individual no IPCA de abril, do frango inteiro (3,32%) e da cebola (8,62%). Segundo André Braz, coordenador do índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (I-bre/FGV),a tendência é o alívio nos preços de alimentos prosseguir nos próximos meses. 

No atacado, o alívio, que já vinha desde abril,vem se aprofundando, conforme os dados da primeira prévia do índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgada ontem pela FGV. O subgrupo "alimentos in natura" passou de uma queda de 1,32% na primeira prévia de abril para um recuo de 2,02% na primeira prévia deste mês. Ainda assim, os alimentos "in natura" acumulam no ano uma alta de 37,95% no atacado medido pelo iGp-M. "Tem muita coisa para devolver. O movimento vai pegar velocidade ao longo do segundo trimestre", disse Braz, que mantém a projeção de IPCA abaixo de 4,0% em 2019. 

Em abril, as altas de 2,25%nos remédios e de 2,66% na gasolina (maior impacto individual na inflação do mês passado) já eram esperadas e não mudam o cenário do pesquisador da FGV.Até mesmo o alívio nos alimentos nos próximos meses é esperado,pois o comportamento sazonal típico do País, especialmente no caso de frutas,hortaliças e legumes, é de preços mais pressionados no verão e mais comportados no período de seca, entre abril e outubro. Esse cenário de Braz não tem espaço para redução nos juros, mas o cenário -base do Itaú Unibanco considera cortes sucessivos de 0,25 ponto porcentual a partir de setembro, encerrando 2019 em 5,75%, desde que a reforma da Previdência ande.

O Bradesco também projeta a Selic em 5,75% no fim deste ano - a estimativa foi revisada ontem, após a equipe do banco revisar a projeção de crescimento econômico em 2019 de 1,9% para 1,1%. Para o economista Leandro Negrão, do Bradesco, alguns vetores de alta, como a cotação de petróleo e o efeito da peste suína africana na China sobre os preços das carnes, não serão suficientes para contaminar a economia com inflação. Esse quadro seria constatado mais claramente no terceiro trimestre, permitindo cortes nos juros. / COLABOROU CAIO RINALDI 

• Efeito

"Quando esse efeito (da greve dos caminhoneiros) sair do acumulado, em junho, a inflação deve voltar a rodar abaixo dos 4,0%."    Carlos Pedroso.     

(Vinicius Neder - Agência Estado)