14/05/18

Inflação acumulada/ano é a menor desde o Plano Real

Sensação de queda ainda não chegou ao bolso do consumidor

Sensação de queda na inflação ainda não chegou ao bolso do consumidor. IPCA de abril acelerou para 0,22%. A inflação oficial de abril ficou em 0,22%. O índice acumulado no ano é o menor desde o início do Plano Real, mas nem todo mundo sente esse efeito. O repórter Roberto Kovalick acompanhou uma pessoa que entende bastante desse assunto: uma pesquisadora do IBGE que, todo mês, ajuda a fazer o levantamento de preços.

Vendedor: Vamos lá, freguês. O brócolis abaixou R$ 3. Era R$ 10, agora é R$ 7.

Nessa conversa, a pesquisadora do IBGE Elisangela Soares não cai. Ela sabe direitinho o preço de cada produto. Tudo é registrado em um aparelhinho que armazena as informações. “Eu represento o consumidor brasileiro. Os dados que eu coleto representam o que o consumidor brasileiro paga naquele momento, naquele produto”, diz.

Em todo o Brasil, quase 400 pesquisadores do IBGE apuram os preços de 454 produtos e serviços. Preferências regionais entram na conta da inflação: o carvão do churrasco para os gaúchos, o pão de queijo para os mineiros e o transporte fluvial para os paraenses. A pesquisa é feita em 13 capitais e regiões metropolitanas. As informações do aparelhinho são transmitidas para a sede do IBGE no Rio de Janeiro. A média de todos esses preços é o IPCA, a inflação oficial do Brasil, que ficou em 0,22% em abril.

Repórter: Está barato mesmo?
Vendedor: Está tão barato que eu vou comprar de mim mesmo.

O pessoal da feira exagera. Mas não é que está certo? O aumento de preço da alimentação foi quase zero. Comer fora de casa, então, ficou mais barato. Os comerciantes dizem que o consumo anda meio parado e é melhor segurar o preço. “Porque foi um ano mais complicado, então, a gente não vai aumentar esse ano. Pelo menos a minha barraca”, afirma Karen Yamaguchi, dona da banca de pastel.

Os produtos e serviços usados no cálculo da inflação são escolhidos com base em uma pesquisa de orçamento familiar feita periodicamente. Ao longo dos anos, alguns itens foram incluídos, como, por exemplo, gastos com pet shop. Manter o bichinho saudável e bonito é cada vez mais importante para os brasileiros e pesa cada vez mais no orçamento. Nesse mercado, não há crise. “Uns choram, outros nem choram e compram”, diz uma mulher.

Um setor que pesa cada vez mais na inflação é a saúde, porque a população brasileira está envelhecendo. Elisangela pesquisa remédios para pressão e colesterol alto, e foram esses gastos que mais subiram em abril. Apesar da inflação oficial ser baixa, tem gente que não se conforma. “Eu acho que tem mais aumentado. Está difícil”, lamenta uma senhora.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explica: “Dependendo do peso de cada item e de como ele se reflete no consumo de cada família, vai ter um impacto diferente para cada um”, afirma o gerente de pesquisa de inflação do IBGE, Fernando Gonçalves.

Quem entende de preço tem uma dica:“Compra na promoção para economizar, fazer o dinheiro render”, diz Elisangela. E quem entende de venda tem que segurar o preço, mas pode soltar a voz. 

(G1)