08/08/17

Ibovespa sobre e se aproxima dos 68 mil pontos

Depois de retomar o patamar do início da crise política, o Ibovespa pode testar os 69 mil pontos

Depois de retomar o patamar do início da crise política, o Ibovespa pode testar os 69 mil pontos e depois tentar alcançar a marca histórica dos 73.920 pontos, segundo analistas gráficos. Ontem, o índice subiu 1,56% e fechou aos 67.940 pontos, rompendo a marca de 67.540 pontos, que havia sido registrada em 17 de maio, último pregão antes de serem divulgadas as gravações entre o presidente Michel Temer e Joesley Batista, da JBS.

Para o analista gráfico da XP Investimentos, Danilo Zanini, a tendência de curto e médio prazo para o Ibovespa continua sendo de alta. "Acredito que o índice teria espaço para continuar subindo até os próximos níveis de resistências, o primeiro ponto de parada seria entre 69 mil e 69.300 pontos, o que representa uma alta de aproximadamente de 2%." Se o mercado atingir esse patamar, pode passar por um período de correção de preços. "Esse seria um cenário que permitiria que o Ibovespa ganhasse forças e voltasse a subir", diz Zanini. A partir daí, o analista considera que o Ibovespa poderia testar o topo histórico, o que representaria uma alta de 9% em relação ao nível atual. A última vez que o índice superou os 69 mil pontos foi em 21 de fevereiro, quando marcou 69.052 pontos.

O recorde histórico do Ibovespa, de 73.920 pontos, foi atingido durante o pregão de 29 de maio de 2008. Mas o maior valor de fechamento foi em 20 de maio de 2008, quando o Ibovespa encerrou o pregão aos 73.516 pontos. Apesar da expectativa positiva com a bolsa de valores, o que garantiu o impulso de ontem foi a alta do preço das commodities no mercado internacional, que historicamente tem sido importante para o comportamento do mercado de ações. O minério de ferro subiu 2,8% no porto de Qingdao, na China, para US$ 76,17 a tonelada. Aqui, as ações ordinárias da CSN tiveram o maior ganho do pregão, de 8,67%. Na sexta, os papéis já haviam subido 3,98%.

Segundo operadores, além do minério, seguem especulações sobre a possibilidade de venda da Casa de Pedra para a Vale. A operação foi negada na sexta pela mineradora. Há também expectativa positiva em relação ao balanço da empresa referente ao segundo trimestre do ano. De acordo com Christian Laubenheimer, da Platinum Investimentos, do ponto de vista da análise gráfica, após a ação da CSN ter rompido o preço de R$ 8,10 abriu-se espaço para uma maior valorização. O movimento com as ações da empresa ficou em R$ 120,78 milhões, 44% acima do giro de sexta. Apesar da alta de ontem, os papéis da CSN ainda caem 21,20% no ano. Outros destaques de alta foram os papéis PNA da Usiminas, que subiram 5,26%, seguidos por Gerdau, com alta de 3,67%, e Gerdau Metalúrgica, com ganho de 3,70%. Já Vale PNA teve alta de 4,35%, e as ações ordinárias subiram 3,81%. Do ponto de vista da análise fundamentalista, as perspectivas também são positivas para o mercado de ações.

A possível melhora no lucro das empresas com a retomada da economia, ainda que lenta, pode ter reflexos positivos para as ações. No cenário econômico, uma aprovação da reforma da Previdência, ainda que "desidratada", agrada aos investidores. Além disso, o excesso de liquidez global estimula a busca por ativos de risco, o que favorece as aplicações em emergentes. "Está havendo uma alocação de investidores estrangeiros em emergentes e o Brasil está sendo beneficiado", diz Laubenheimer.

(Chrystiane Silva e Lucinda Pinto - Valor Online)