27/04/21

Dólar fecha em queda com mercado de olho em reformas

Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana recuou 0,92%, a R$ 5,4476.

O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (26), com as operações domésticas acompanhando o rali de moedas de commodities no exterior em meio a esperanças de retomada da economia mundial.

Aqui, o mercado também passou a colocar nos preços expectativas de avanço na agenda de reformas, superado o imbróglio orçamentário.

A moeda norte-americana recuou 0,92%, vendida a R$ 5,4476. É o menor patamar de fechamento desde 24 de fevereiro (R$ 5,4207).

Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 0,78%, a R$ 5,4982. No mês, a queda acumulada é de 3,20%. No ano, o avanço é de 5,02%.

Cenário

Nesta segunda, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse em sua conta no Twitter que a Casa e o Senado têm o compromisso de votar ainda neste ano as reformas tributária e administrativa - esta podendo andar mais rapidamente e ter sua comissão especial instalada entre os dias 10 e 14 de maio.

"Não estou superotimista, mas estou otimista", disse Marcos Weigt, chefe de tesouraria do Travelex. "A gente com o tempo percebeu que o Congresso é reformista. A pauta mudou, a gente está agora numa pauta mais propositiva", acrescentou, avaliando que a CPI da Covid-19 no Senado não tende a mexer com os mercados.

Segundo a agência Reuters, a discussão sobre reformas havia ficado de lado nos últimos tempos em meio ao agravamento da crise sanitária e a debates sobre mais despesas para controlar a pandemia, os quais levaram no começo de março à aprovação de uma PEC Emergencial que causou no mercado ruído posteriormente agudizado pelo impasse do Orçamento.

Mas a solução da crise orçamentária alcançada em abril voltou a abrir espaço para queda do dólar - a moeda perde 5,54% desde a máxima recente de 29 de março (R4 5,7681). E, segundo Weigt, há mais "gordura para queimar".

"O real está bastante desvalorizado, e não me surpreenderia com a moeda (o dólar) chegando a 5,30 reais, 5,20 reais", afirmou. "Se a gente realmente partir para essa agenda (de reformas), se aprovarmos a administrativa, a gente vai para os 5 reais."

O recente alívio nos ativos brasileiros, após o fim do entrevero do Orçamento, abriu a porta para visões menos negativas sobre o real por parte de estrangeiros. Ainda assim, as análises trazem uma boa dose de desconfiança --inclusive com as reformas.

Embora não sustente aposta direcional a favor da moeda brasileira, o Morgan Stanley vê no excesso de volatilidade da taxa de câmbio no curto prazo uma oportunidade tática, tendo como pano de fundo ambiente benigno em termos de risco no qual o dólar pode estar chegando a seu piso no mundo.

"A volatilidade de curto prazo do real continua a operar com prêmio vis-à-vis seus pares e vencimentos mais longos, o que torna atrativa a exposição a uma curva mais inclinada, já que esperamos que o segundo semestre de 2021 seja mais desafiador conforme o calendário político complica o cenário para reformas estruturais", disseram.   

(G1)

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