22/02/21

Bolsa cai 1% e dólar sobe a R$ 5,44

Investidor volta a acompanhar com atenção as negociações em torno de uma nova rodada do auxílio emergencial. Mercado de Nova York também caiu.

A Bolsa brasileira (B3) fechou em queda de 0,96%, aos 119.198,97 pontos na  tarde desta quinta-feira, 18, enquanto o dólar terminou em alta de 0,48%, a R$ 5,4410, em um dia no qual voltou a predominar as preocupações sobre a situação fiscal doméstica em meio ao encaminhamento da retomada do auxílio emergencial. O dia também foi negativo em Nova York.

Nem mesmo o forte fluxo externo tem conseguindo conter a piora do real. Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que já entraram US$ 5,5 bilhões no país este ano, pelo comércio e canal financeiro, mas o dólar sobe quase 5%, o pior desempenho dos emergentes. Nesta quinta-feira, o exterior negativo, em meio a dados ruins dos pedidos semanais de auxílio desemprego nos Estados Unidos, e a cautela com a retomada dos debates em Brasília sobre o auxílio emergencial fizeram a moeda americana bater em R$ 5,45 na máxima do dia.

Hoje o governo e o Congresso retomaram as discussões sobre o auxílio emergencial, em dia marcado também por alta do dólar na maioria dos emergentes, após a inesperada alta nos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA, para 861 mil na semana encerrada no dia 13, a segunda semana de elevação.

Em Brasília, após almoço com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) confirmou que o relatório da PEC Emergencial será apresentado entre hoje e segunda-feira (22), incluindo uma cláusula de “orçamento de guerra” para a retomada dos pagamentos do auxílio.

Para o economista do Wells Fargo, Brendan McKenna, não é possível afastar neste momento o risco de o teto de gastos ser colocado de lado em meio às tentativas do governo de dar mais estímulo fiscal no Brasil. Em um cenário de manutenção do teto e disciplina fiscal, ele acredita que o real pode ter algum fortalecimento nos próximos 6 a 9 meses, na medida em que a economia mundial ganha fôlego com a vacinação e os fluxos de capital devem seguir aportando nos emergentes. A trajetória das contas públicas é fator crucial para os rumos do câmbio no Brasil, comenta McKenna.

O diretor financeiro (CIO) do banco suíço Julius Baer, Yves Bonzon, ressalta que a preocupação dos investidores com o Brasil diminuiria mesmo com a recriação do auxílio emergencial, mas desde que o governo consiga dar um empurrão na agenda de reformas. Assim, a aprovação das medidas ofuscaria o aumento temporário de gastos públicos, ressalta ele, em nota.

Por trás da persistente piora do real, o trader Jordan Lima argumenta que os juros muito baixos têm peso determinante. Ele ressalta que o rand da África do Sul, país também com problemas fiscais sérios, já é negociado em nível pré-pandemia. A taxa básica de juros no país, porém, está em 3,5%, acima dos 2% da brasileira. Em 2021, até hoje, o dólar acumula queda de 0,30% ante o rand. Em fevereiro, tem baixa de 3,7%. O dólar para março fechou em alta de 0,24%, a R$ 5,4290.

No mercado futuro, estrangeiros seguiram ontem, mesmo em pregão reduzido, elevando posições compradas em dólar futuro ante o real, que ganham com o fortalecimento da moeda americana. Ontem elevaram em mais 23.740 mil contratos, o equivalente a US$ 1,2 bilhão, de acordo com números da B3 monitorados diariamente pela corretora Renascença.

Bolsa
Com moderada realização de lucros em Nova York após recentes máximas, o Ibovespa interrompeu hoje série de três ganhos e chegou a tocar nos 118 mil pontos na mínima do dia. Na semana, as perdas estão em 0,19%, colocando os ganhos do mês a 3,59% e limitando os do ano a 0,15%.

Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego atingiram máxima de quatro semanas, a 861 mil na leitura divulgada nesta quinta-feira, bem acima da estimativa de consenso para o período, de 773 mil, superando também a anterior, revisada para cima a 848 mil. Questionada hoje sobre o temor de disparada da inflação com a possível aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que os dados sobre emprego reforçam a necessidade do estímulo. Por lá, Nasdaq caiu 0,72%, enquanto Dow Jones e S&P 500 tiveram baixas de 0,38% e 0,44% cada.

Neste contexto, as vulnerabilidades fiscais brasileiras, acentuadas pela necessidade de retomada do auxílio emergencial, ficam mais evidentes, transmitindo-se diretamente ao câmbio e ao fluxo de recursos estrangeiros para a Bolsa - o qual tem se mantido favorável desde novembro, embora com menos fôlego em fevereiro, positivo a R$ 2,649 bilhões no mês e a R$ 26,206 bilhões em 2021. "Inflação global é um fator de risco que não pode ser negligenciado", observa já há algum tempo Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch.

Nesta quinta-feira de ajuste negativo nos preços do petróleo, Petrobrás PN e ON fecharam respectivamente em baixa de 1,08% e 0,84%, com Vale ON no campo positivo, em alta de 1,09% no encerramento. As siderúrgicas fecharam sem direção única na sessão, com destaque para alta de 1,12% em CSN ON, enquanto Suzano subiu 2,28%. Os bancos cederam terreno, tendo Santander em queda de 1,46%) e Bradesco ON perda de 1,35%.  

(Agência Estado)