07/02/20

BC: Atual grau de estímulo monetário pode elevar inflação acima do esperado

Com as decisões de cortar a Selic (a taxa básica da economia) de 4,50% para 4,25% ao ano e comunicar a interrupção do ciclo de redução nos juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve um cenário com fatores de risco para inflação em ambas as direções.

De um lado, o BC manteve a avaliação de que o nível ainda elevado de ociosidade na economia pode continuar produzindo uma trajetória de inflação abaixo da esperada.
Por outro lado, o atual grau de estímulo – com a taxa Selic no menor nível da história – pode acabar elevando a inflação para acima do esperado no horizonte relevante da política monetária. O Copom lembra que os cortes na taxa básica de juros atuam com defasagens sobre a economia.

O BC aponta ainda que, dado o atual nível da Selic, o risco de uma inflação maior que a esperada se intensifica caso as transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais aumentem a potência da política monetária.

O risco de inflação mais alta também fica maior em caso de deterioração do cenário externo para as economias emergentes ou em caso de frustração sobre a continuidade das reformas na economia brasileira.
Ainda assim, sem citar explicitamente a volatilidade dos mercados internacionais em decorrência do surto de coronavírus, o BC avaliou que “apesar do recente aumento de incerteza” no cenário externo, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes.

Sobre as reformas, mais uma vez o colegiado reconheceu que essa agenda tem avançado e novamente enfatizou a importância de se perseverar nesse processo. “Dados de atividade econômica divulgados desde o último Copom indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira”, citou ainda o comunicado.
Para o BC, as diversas medidas de inflação subjacente que antes estavam em níveis “confortáveis” agora encontram-se em níveis “compatíveis” com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária   

(Agência Estado)