17/06/19

Anbima: PIB

Corte projeção do PIB e previsão de queda de juros

A fraqueza da atividade econômica, a inflação comportada e a tendência de redução dos juros nos países desenvolvidos levaram o Comitê Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que se reuniu ontem, a passar a prever corte da Selic este ano. A avaliação dos economistas que integram o comitê é de que o Banco Central deve começar a reduzir a taxa básica de juros em setembro, mês em que alguns analistas acreditam que a reforma da Previdência ainda não terá tido a aprovação final do Congresso. Na reunião de ontem, o comitê decidiu cortar novamente a previsão para o crescimento do PIB do Brasil este ano e no próximo.

Para 2019, a expectativa é de expansão de apenas 0,8% ante 1,5% esperado na reunião anterior do comitê, em maio, e de 2,5% previstos em março. A estimativa de 2020 foi reduzida para 2,2% ante 2,5%. O comitê se reúne a cada 45 dias, normalmente na sexta-feira que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontecerá nos dias 18 e 19. Para a taxa básica de juros, a expectativa agora é de corte este ano, com a Selic devendo terminar 2019 em 5,75%, ante 6,5% esperados na reunião anterior. Ou seja, até a reunião passada, o consenso dos 25 economistas que fazem parte do órgão era de manutenção dos juros este ano. Para 2020, a estimativa é que a Selic termine em 6,5%, ante 7,5% do encontro anterior.

O presidente do Comitê Macroeconômico da Anbima, Fernando Honorato Barbosa, economista- chefe do Bradesco, ressalta que um dos destaques da reunião de ontem foi que a maioria passou a prever corte de juros. Para os participantes, é muito difícil o BC não sinalizar na reunião da semana que vem uma mudança no balanço de riscos para a inflação, que melhorou nas últimas semanas e levou vários bancos a cortarem as estimativas de IPCA em 2019 e 2020. O Comitê reduziu a previsão de inflação de 4% para 3,8% nos dois anos, o que significa que esperam inflação abaixo do centro da meta, já que o limite para este ano é de 4,25% e para o ano que vem, de 4%.

Um dos membros da Anbima que acreditam que o corte deve começar antes de setembro, já na reunião da semana que vem, é Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e sócio da Mauá Capital, que representa a diretoria da associação no comitê. Ele afirma que se o corte vier agora, ou seja, sem os documentos do BC ou declarações oficiais de seus dirigentes sinalizando uma redução, esse movimento não arranharia a credibilidade da autoridade monetária. "Credibilidade não é ter juro alto, ou mais alto do que deveria", disse ele, destacando que mudaram muito rapidamente os fatores que amparavam a manutenção da Selic.  

(Thais Barcellos Altamiro Silva Junior - Agência Estado)