10/08/18

AMBIMA: PESQUISA

Quase metade não poupa para aposentadoria

A cultura de poupar recursos para a aposentadoria segue pouco difundida entre os brasileiros, mesmo com o aumento da discussão sobre a sustentabilidade do sistema previdenciário. Segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 47% das pessoas que ainda não se aposentaram esperam contar com os benefícios da Previdência Social depois que pararem de trabalhar.

O levantamento, em parceria com o Datafolha, entrevistou 3.400 pessoas de classes A, B e C em 152 municípios. Foram consultadas pessoas a partir dos 16 anos que integram a força de trabalho, inativos que têm renda e aposentados. A margem de erro da enquete é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Segundo a pesquisa, 28% das pessoas pretendem continuar trabalhando depois de se aposentar e 2% acreditam que terão suporte financeiro dos filhos ou da família. Há, ainda, aqueles que declaram "não ter a menor ideia" de como se sustentarão na velhice, com 12% das respostas.

Do outro lado, 21% se planejam de alguma forma para a aposentadoria. Neste grupo, 10% pretendem usar o dinheiro de aplicações financeiras, 6% vão contar com o retorno de um plano de previdência privada, 4% receberão aluguéis de imóveis dos quais são proprietários e 1% diz ter recursos guardados. "O planejamento financeiro para a aposentadoria é fundamental, principalmente no momento em que se discute o déficit da Previdência, com a iminência de uma reforma nesse setor", disse Ana Leoni, superintendente de Educação e Informações Técnicas da entidade. "Não importa a fase da vida em que a pessoa esteja, nunca é cedo ou tarde demais para começar a poupar."

Entre os que já se aposentaram, 89% apontam que os rendimentos mensais são provenientes só da Previdência. Apenas 6% vivem da renda de planos de previdência privada e 2% são sustentados por aluguéis - o mesmo percentual inclui as pessoas que fazem bico e os dependentes da família. A pesquisa mostra ainda que a maior parte dos brasileiros avalia que as despesas vão aumentar (46%) ou se manter (41%) após se aposentarem, enquanto 28% acham que o padrão de vida será pior que o atual. 

(Valor Online)